Apesar de os atendimentos às vítimas de sinistros de trânsito com motocicletas estarem colapsando o SAMU Metropolitano Recife , a gestão da capital pernambucana não pretende regulamentar os aplicativos de transporte remunerado de passageiros com motos – como Uber e 99 Moto – na cidade.
Mesmo com um cenário associado a uma verdadeira “carnificina” – com os feridos e mutilados das motos respondendo por mais de 80% dos atendimentos realizados pelo SAMU -, a Prefeitura do Recife mantém e pretende manter uma postura de passividade regulatória. Pelo menos é o que garantiu a pasta que seria responsável pelo tema.
Em entrevista ao JC durante participação no seminário Zurb de Mobilidade Urbana, realizado na cidade, o secretário de Ordem Pública e Segurança do Recife, Alexandre Rebêlo, sinalizou que o município não pretende criar legislações específicas ou regras básicas para os “motoapps”, como fez anteriormente com os carros e e que até hoje não vingou devido a uma ação judicial da plataforma 99.
Ao ser questionado sobre a inação da gestão, Alexandre Rebêlo justificou que a tentativa de regular o setor em 2019 foi barrada judicialmente, afirmando que a regulamentação como proibição ou limitação foi impedida pela Justiça. Na verdade, a ação de 2020 nunca citou o transporte de passageiros com motos, apenas os carrros, até porque o serviço ainda não existia no País.
A segurança viária da Região Metropolitana do Recife segue extremamente impactada pela imprudência, inabilidade, ausência de regras e fiscalização do uso de motocicletas – principalmente – para o transporte remunerado de passageiros, como Uber e 99 Moto.
Dados recentes do SAMU Metropolitano Recife confirmam essa realidade e fazem uma conexão direta entre o início do serviço de transporte remunerado de passageiros, em 2022, e a explosão dos registros de sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) com ocupantes de motocicletas.
Entre 2022 e 2025, os atendimentos a vítimas das motocicletas aumentaram quase 60% no Grande Recife, com uma média de 80% a 90% sendo registrados no Recife, que lidera todas as estatísticas de quedas e colisões com condutores e passageiros das motos. E esse crescimento é escalonado ano após ano, entre 2022 e 2025, também verificado no primeiro trimestre de 2026.
Os números do SAMU Metropolitano Recife não deixam dúvidas de que o serviço de motoapps é o principal vetor dessa escalada fatal. Desde o final de 2021 e início de 2022, quando esses serviços começaram a se expandir agressivamente no Nordeste, o perfil dos sinistros mudou, incluindo frequentemente o passageiro, que passou a ser exposto ao lado do condutor na mesma motocicleta.
As informações são da Jornal do Commercio.
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