Brasil, São Paulo, SP. 02/06/2010. Vista da faixa exclusiva para motos que vai do centro da capital paulista à região do Ibirapuera, na zona sul, que começou a funcionar em 02 de junho de 2010. Fazendo o trajeto entre a Avenida Lins de Vasconcelos e a Praça João Mendes, seguindo pela Rua Vergueiro e a Avenida Liberdade, a chamada motofaixa tem 3,5 quilômetros de extensão de ambos os lados. - Crédito:EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE/Codigo imagem:63768

Mesmo com colapso no SAMU local, Recife desiste de regulamentar aplicativos de motos, que impactam no transporte público

Apesar de os atendimentos às vítimas de sinistros de trânsito com motocicletas estarem colapsando o SAMU Metropolitano Recife , a gestão da capital pernambucana não pretende regulamentar os aplicativos de transporte remunerado de passageiros com motos – como Uber e 99 Moto – na cidade.

Mesmo com um cenário associado a uma verdadeira “carnificina” – com os feridos e mutilados das motos respondendo por mais de 80% dos atendimentos realizados pelo SAMU -, a Prefeitura do Recife mantém e pretende manter uma postura de passividade regulatória. Pelo menos é o que garantiu a pasta que seria responsável pelo tema.

Em entrevista ao JC durante participação no seminário Zurb de Mobilidade Urbana, realizado na cidade, o secretário de Ordem Pública e Segurança do Recife, Alexandre Rebêlo, sinalizou que o município não pretende criar legislações específicas ou regras básicas para os “motoapps”, como fez anteriormente com os carros e e que até hoje não vingou devido a uma ação judicial da plataforma 99. 

Ao ser questionado sobre a inação da gestão, Alexandre Rebêlo justificou que a tentativa de regular o setor em 2019 foi barrada judicialmente, afirmando que a regulamentação como proibição ou limitação foi impedida pela Justiça. Na verdade, a ação de 2020 nunca citou o transporte de passageiros com motos, apenas os carrros, até porque o serviço ainda não existia no País. 

A segurança viária da Região Metropolitana do Recife segue extremamente impactada pela imprudência, inabilidade, ausência de regras e fiscalização do uso de motocicletas – principalmente – para o transporte remunerado de passageiros, como Uber e 99 Moto.

Dados recentes do SAMU Metropolitano Recife confirmam essa realidade e fazem uma conexão direta entre o início do serviço de transporte remunerado de passageiros, em 2022, e a explosão dos registros de sinistros de trânsito (não é mais acidente de trânsito que se define, segundo o CTB e a ABNT) com ocupantes de motocicletas.

Entre 2022 e 2025, os atendimentos a vítimas das motocicletas aumentaram quase 60% no Grande Recife, com uma média de 80% a 90% sendo registrados no Recife, que lidera todas as estatísticas de quedas e colisões com condutores e passageiros das motos. E esse crescimento é escalonado ano após ano, entre 2022 e 2025, também verificado no primeiro trimestre de 2026.

Os números do SAMU Metropolitano Recife não deixam dúvidas de que o serviço de motoapps é o principal vetor dessa escalada fatal. Desde o final de 2021 e início de 2022, quando esses serviços começaram a se expandir agressivamente no Nordeste, o perfil dos sinistros mudou, incluindo frequentemente o passageiro, que passou a ser exposto ao lado do condutor na mesma motocicleta.

As informações são da Jornal do Commercio.

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