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Aumento de custos e pressão sobre fluxo de caixa leva transportadoras e viações a buscar renegociações

O aumento dos custos financeiros e a pressão sobre o fluxo de caixa têm levado transportadoras a buscar renegociações com instituições bancárias para manter suas operações, mas muitas empresas podem estar aceitando condições desfavoráveis sem uma análise detalhada dos contratos. Cobranças de tarifas indevidas, spreads elevados, encargos não previstos e falta de clareza sobre a evolução da dívida estão entre os principais pontos que devem ser avaliados antes da assinatura de novos acordos.

Segundo o advogado Gustavo Maffioletti, sócio da Maffioletti & Arndt Advogados, a urgência para recuperar o equilíbrio financeiro faz com que algumas transportadoras negociem diretamente com os bancos sem verificar se os valores cobrados estão corretos ou se existem cláusulas contratuais que podem ser questionadas.

Muitas empresas procuram a renegociação quando já estão em uma situação de pressão financeira e acabam aceitando as primeiras condições apresentadas. Antes de assumir um novo compromisso, é fundamental entender como a dívida foi formada, quais encargos foram aplicados e se a cobrança está de acordo com o contrato firmado”, afirma.

O cenário é especialmente delicado para empresas que possuem financiamentos de caminhões, operações de leasing e linhas de capital de giro. Uma renegociação mal estruturada pode reduzir a pressão no curto prazo, mas aumentar o comprometimento financeiro da empresa no médio e longo prazo.

De acordo com Maffioletti, antes de formalizar um novo acordo, as transportadoras devem solicitar a documentação completa da operação e analisar a evolução do débito apresentado pela instituição financeira. Também é necessário verificar as taxas de juros e spreads aplicados, a existência de tarifas adicionais, encargos não previstos no contrato e as condições estabelecidas em financiamentos com alienação fiduciária, que podem impactar diretamente a continuidade da operação.

A empresa precisa ter clareza sobre o valor real da dívida antes de renegociar. Sem uma análise técnica, existe o risco de incorporar cobranças questionáveis ao novo contrato e transformar uma dificuldade momentânea em um problema financeiro ainda maior”, explica o advogado.

Decisão judicial protege frota de transportadora durante discussão com banco

Em um caso recente conduzido pela Maffioletti & Arndt Advogados, uma transportadora do Rio de Janeiro conseguiu na Justiça uma liminar que suspendeu a apreensão de caminhões utilizados na operação da empresa durante uma discussão judicial envolvendo um contrato de financiamento bancário.

A decisão foi obtida junto à 15ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, após os advogados identificarem possíveis irregularidades relacionadas à constituição da mora — requisito necessário para a concessão de liminar em ações de busca e apreensão baseadas em contratos com alienação fiduciária.

Com a decisão, a transportadora permaneceu com a posse dos veículos e pôde continuar utilizando a frota normalmente enquanto o processo segue em tramitação.

Para uma transportadora, o caminhão representa a própria capacidade de geração de receita. A perda de um veículo pode comprometer contratos, empregos e a continuidade da operação. Por isso, é essencial avaliar se todos os procedimentos adotados pelo credor estão de acordo com as exigências legais”, afirma Maffioletti.

O advogado explica que a análise dos contratos pode permitir tanto a contestação de cobranças consideradas irregulares quanto a construção de uma renegociação mais equilibrada entre empresa e instituição financeira.

O objetivo não é afastar uma obrigação legítima, mas garantir que a empresa discuta valores e condições dentro dos parâmetros jurídicos adequados. Quando existe transparência sobre a origem da dívida, aumentam as possibilidades de encontrar uma solução sustentável”, conclui.

Maffioletti & Arndt Advogados atua na revisão de contratos bancários e recuperação de valores pagos indevidamente por empresas, com mais de R$ 45 milhões recuperados em demandas relacionadas ao tema.

As informações são da Maffioletti & Arndt Advogados.

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