Faróis deixaram de ser componentes relativamente simples e passaram a transformar pequenos danos de estacionamento em contas que facilmente alcançam R$ 40.000.
A Allianz atribui à iluminação moderna uma parcela importante do aumento dos custos de reparo registrado nos veículos atuais.
Dados da seguradora alemã indicam que cerca de 870 mil faróis sofrem danos todos os anos somente na Alemanha.
A evolução dos preços chama ainda mais atenção, segundo informações publicadas pelo jornal econômico Handelsblatt.
O valor médio de uma única unidade subiu de € 708 (R$ 4.600) em 2015 para € 1.251 (R$ 8.100) no ano passado.
Alguns conjuntos mais sofisticados chegam a custar € 6.700 (R$ 43.300) cada, dependendo do modelo e da tecnologia adotada.
Parte dessa elevação vem da quantidade de recursos integrados a uma peça que antes reunia basicamente lâmpada, refletor e lente plástica.
Sistemas adaptativos, LEDs matriciais, iluminação a laser e módulos eletrônicos ampliam a visibilidade, porém também tornam qualquer intervenção muito mais cara.
Para a Allianz, a tecnologia não representa o principal problema, pois a maior dificuldade está na maneira como os reparos são oferecidos.
Diversos fabricantes não disponibilizam soluções práticas para substituir separadamente lentes, carcaças ou partes eletrônicas que apresentam danos localizados.
Esse modelo obriga oficinas a trocar o conjunto completo, mesmo quando somente uma pequena área precisa de atenção.
Regras rígidas também limitam alternativas na Alemanha, onde nem sequer é permitido realizar o polimento de faróis que perderam transparência.
Christian Sahr, diretor do Allianz Center for Technology, comparou esse desperdício a jogar fora “um terno caro por causa de um botão ausente”.
A seguradora defende que fabricantes e autoridades criem procedimentos capazes de recuperar componentes específicos antes de determinar a substituição integral.
França e Dinamarca aparecem como referências, já que algumas modalidades de reparo em sistemas de iluminação são aceitas com maior frequência nesses mercados.
A Toyota recebeu destaque positivo por permitir a troca individual de várias partes em determinados conjuntos instalados em seus veículos.
Lente, carcaça, sistema eletrônico e elementos de fixação estão entre os componentes que podem ser substituídos sem exigir uma unidade completa.
“Toyota mostra que isso é possível, então por que ninguém mais consegue fazer?”, questionou Sahr ao comentar a estratégia da marca japonesa.
Outras empresas começam a rever o desenho dessas peças, buscando facilitar desmontagem, manutenção e reaproveitamento ao longo da vida útil do veículo.
A Mercedes informou em dezembro passado que pretende substituir cola por parafusos em futuros faróis, tornando o acesso aos componentes internos mais simples.
Durante a edição daquele ano do SEMA, a Oracle Lighting apresentou faróis sem lentes tradicionais, desenvolvidos para permitir trocas individuais pelos próprios proprietários.
Além de reduzir contas de reparo, essa abordagem pode diminuir consideravelmente o volume de materiais descartados após danos relativamente pequenos.
A Allianz também aponta benefícios ambientais, pois trocar somente a área afetada reduz resíduos e emissões de carbono associadas à fabricação de um conjunto completo.
A pressão das seguradoras agora busca transformar a facilidade de reparo em parte do projeto, e não apenas em uma preocupação posterior.
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As informações são da Notícias Automotivas.
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